Uma coisa que as me irrita bastante são certos rótulos que as pessoas tomam par sí mesmas só pra facilitar a vida ou porquê acham bonitinho.
Entre as que mais me causam asco (e essa palavra também) é o "apolítico".
Acho que parece uma coisa suuuuper-descolada, meio cult, blazé quem sabe.
Ainda mais hoje em dia, onde há tanto pelo que se interessar, parece ser bem cabível se colocar como "apolítico". Tem mais o que fazer, certo?
Quase.
Venho aqui dizer que não existe o apolítico. Pra algumas pessoas pode não ser grande novidade, mas há quem não entenda que não há como não se envolver politicamente. Infelizmente, a política parece ocupar, na cabeça dos mais desavisados, o espaço do Estado, do institucional e nada mais.
Toda posicionamento, seja nas eleições, no shopping, no sexo, nas piadas é, querendo ou não, um posicionamento político.
Vamos ao exemplos mais práticos, pulando eleições que é meio óbvio. (duh!?)
Vamos fazer compras e escolhemos os produtos mais coloridos, bonitos e que dão mais status ou aqueles social e ambientalmente responsáveis. Compramos o que precisamos ou porque está em promoção? São decisões quase ridículas, mas são decisões políticas. Você está compactuando com esse ou aquele modelo ao escolher produtos e principalmente onde, como e quando compra.
Daí em diante vai: com quem (e quant@s) se trepa, sobre o que se faz piadas, quem você respeita, por que motivo, etc. Tudo tem seu contexto próprio, mas ainda assim são posições políticas, as vezes de uma forma, as vezes de outra.
Agora, quando ouvirmos o nosso coleguinha se dizer apolítico, vamos comentar as implicações políticas de sua vida sexual, do tênis novo fabricado por taiwaneses subnutridos, computador made in China feito com mão de obra semi-escrava...
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[01/10] Em tempo: Se dizer apolítico é, na verdade, estar acomodado com o regime político vigente, de acordo com a situação.
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1 ano atrás
5 comentários:
pedroka,
mas e quem não tem prazer em discutir política? pq essa pessoa pode ter sim um posicionamento,ideais, mas não necessariamente querer trazer isso à tona a todo minuto. Acho que talvez há uma necessidade de discutir, mas tais pessoas devem ter o direito de se resguardarem, de guardarem p/ si suas posições ou idealismos. Acho que existem várias 'personas' quando se pensa em política: há o engajado, o revolucionário, o de extrema-direita, e o que quer estar alheio a isso - não que ele esteja, pois concordo com o seu texto - mas veja que é um desejo dele. Daí, para se analisar o que levou ele a ver outras coisas como prioridades, e não o pensamento político e sua formação social, são outros quinhentos, pois podem haver milhares de razões para alguém mostrar, e ir atrás de seus direitos como também outras inúmeras que levaram aquele ser a desprezar informações, conceitos, análises de cunho político.
bju!
( ah, pode falar tb do exemplo dos bolivianos escravos aqui em São paulo, no Bom retiro!)
acho que ser apolítico é pura preguiça! eu sou pura preguiça, mas não digo que sou apolítica. gostei do seu blog, onde vc achou o meu? :]
bejinhos
Itaca, acho que vc não pegou bem oq eu quiz dizer. Preocupar-se com política é opção. Agora, é impossível desvecilhar as próprias atitudes e posições de suas consequências ou características políticas. E se a pessoa não se preocupa com isso, é um belo alienado, ou preguiçoso mesmo (gostei dessa, rebiscoito). Se dizer apolítico é, na verdade, estar acomodado com o regime político vigente, de acordo com a situação.
postei ontem algo com a mesma idéia. é na verdade acomodação não pensar que as atitudes são sempre travestidas de idéias que influenciam o munod todo. enfim...
beijo!
Existe uma grande desilução com a política ultimamente, por isso as pessoas passam a se classifar cada vez mais como apolíticos. Muitos são por preguiça, lógico,mas a origem dessa preguiça não seria um cansaço de se empenhar muito pra pouca mudança?
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