Somos todos oneradores.
Oneramos nossos pais antes mesmo de colocarmos aquela cabecinha desproporcional de bebê para fora da vagina de nossas mães.
Oneração desde o pré-natal até o cursinho, passando pelos lápis.
Malditos estudantes de universidades onerativamente públicas.
Oneradores da máquina pública, os funcionários do Estado.
Os menos favorecidos intelectualmente ou por oneração da vida oneram alguém ou a sí mesmos até o fim da graduação.
Depois oneramos nossos chefes, post-its, canetas do escritório e muito material de papelaria.
Oneramos muito nossos fígado, mas também os rins.
A paciência de amigos, familiares, colegas e professores costuma ser objeto onerativo, mas por ambas as partes.
Por diversos motivos, até os neurônios nos oneramos, ou algo nos onera deles.
A vida nos é onerada pelo tempo.
Onerar, logo é viver.
Mas não se onera pelo simples prazer de uma sociedade de consumo que projeta nossas frusteações na oneração.
Oneramos pois nos é onerado.
Nessa dialética onerativa o mundo se move, apesar de uns ainda onerarem muito mais que outros.
Vamos onerar a vida onerando aqueles que oneram de forma desproporcional, onerando os que pouco oneram e mais são onerados do que oneradores.
Oneradores do mundo, unívos!
Novo Blog
1 ano atrás
2 comentários:
uau, isso foi praticamente um poema! lindo! se não fosse esse teu texto, talvez eu nunca descobrisse o significado da palavra 'oneração'. Obrigada :]
maldito (bendito?) dinheiro!
beijo!
Postar um comentário