Algo que me irrita bastante nos filósofos do pós-modernismo (ou da contemporaneidade, sei lá), é como vários deles parecem ver apenas as relações ligadas à troca de informações e a fluidez da sociedade moderna, além de uma aparente nostalgia do que quer que tenha vindo antes. Como eles parecem ignorar as relações de classe, a influência do desenvolvimento dos meios de produção e reprodução. Em contrapartida, muitos marxistas parecem que não enxergam mais nada, apenas classes e meios de produção, onde todos são operários ou burguesia.
Falando em marxistas, ocorre-me frequentemente citar conceitos, frases e textos de Marx, mas sem me sentir obrigado a acrescentar a isto a pequena peça autentificadora que consiste em fazer uma citação de Marx, em colocar cuidadosamente a referência de pé de página, e em acompanhar a citação de uma referência elogiosa, por meio de que se pode ser considerado como alguém que conhece Marx, que se reverencia Marx e que se verá honrado pelas pessoas ditas marxistas. Cito Marx sem dizê-lo, sem colocar aspas, e como eles não são capazes de reconhecer os textos de Marx, passo por ser aquele que não cita Marx.
Será que um físico, quando faz física, experimenta a necessidade de citar Newton ou Einstein? Ele os utiliza, mas não tem necessidade de aspas, de nota de pé de página, ou de aprovação elogiosa que prove até que ponto ele é fiel ao pensamento do Mestre. E como os demais físicos sabem o que fez Einstein, o que ele inventou e demonstrou, o reconhecem imediatamente. É impossível fazer história sem utilizar uma sequencia infindável de conceitos ligados direta e indiretamente ao pensamento de Marx e sem se colocar num horizonte descrito e definido por Marx. Em última análise poder-se-ia perguntar que diferença haveria entre ser historiador e ser marxista.
“O historiador marxista, este pleonasmo”, pode-se dizer?
É mais ou menos isto. E é no interior deste horizonte geral definido e codificado por Marx que começa a discussão. Discussão com aqueles que vão se declarar marxistas porque empregam esta espécie de regra do jogo que não é a do marxismo, mas a da comunistologia, ou seja, a que é definida pelos partidos comunistas e socialistas que indicam a maneira pela qual se deve utilizar Marx para ser, por eles, considerado marxista.
E falando em partidos, não apenas os marxistas, mas também o trotskistas, leninistas, maoístas, stalinistas (?), se vestem de qual roupagem para afirmarem-se porta vozes desta ou daquela vertente política. Vejo apenas belos discursos, por hora radicais ou utópicos, que se realizam apenas no campo da comunicação. Não vejo ações coerentes, muitas vezes não vejo coerência no próprio discurso, que se traveste dependendo do contexto.
Jamais um apolítico, não um independente, mas em fuga dos rótulos.
* Uns dois terços deste texto não são meus, mas não vou citar.
Novo Blog
1 ano atrás
1 comentários:
a essência de toda existência de um ser - se é que existe essência - está firmada na questão do 'um ser' necessitar 'ser'. o rótulo é detestado por não ser (na maioria das vezes) uma auto-analise crítica e sim uma opinião pejorativa do próximo que por muitas vezes é exigida pelo próprio rotulado. pense em um emo que não gosta que o chamem de emo, mas veste-se como tal, ouve músicas de tal, comporta-se como tal... é de um pseudo-'tal'ismo incrível.
_sim, o texto trata de um gato gordo e chato. haha
Postar um comentário