Estudo em uma escola de comunicação e artes. Lá, entre as pessoas mais artísticas e menos comunicativas, tem uma menina que adora falar mal do Centro Acadêmico, mas parece simpática.
Quando fui conversar com ela, me disse ser uma pessimista. Aí já viu, veio aquele preconceitozinho sobre pessoas fracas que não tem força pra nada, então preferem dizer que não dá para fazer nada.
Bom, não era bem assim, e entre uns goles de cachaça e cerveja, ela lança a pior pergunta para alguém que quer envolver mais pessoas no movimento, mas não sabe bem como. "Como você age politicamente sem ser panfletário? Como fazemos algo com significado político?"
Enquanto eu acho que toda ação é uma ação política, porque, mesmo que não pensemos sobre as implicações políticas de uma ação, ela no mínimo reafirma ou contraria a realidade, a menina veio me dizer que uma ação só ganha teor político depois, quando é pensada de forma crítica.
Mais do que os debates filosóficos em torno do que é político, eu pensei: "fudeu, se já tem 13 ideologias diferentes que não se acertam, como agente faz pra envolver as pessoas se elas questionam o significado de cada atitude, antes de questionar a atitude em sí?"
Ser superficial é ruim, mas dá para se aprofundar em cada vírgula da vida?
[o texto havia terminado, mas no dia seguinte o autor volta insatisfeito]
Não dá para viver sem acreditar em nada, não dá pra viver com certezas sobre tudo.
[o autor não acha que vai ficar satisfeito com o texto algum dia]
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1 ano atrás
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