Nas últimas semanas alguns estudantes da ECA têm se envolvido no debate sobre uma proposta de reforma na faculdade. Vamos aos fatos:
- Há R$5 milhões disponíveis para "construção civil"
- O diretor afirma que há demanda por salas de aula, auditórios, espaço para biblioteca e salas para grupos de pesquisa e extensão, e que um novo prédio pode atender algumas destas demandas
- através de e-mails e também verbalmente, estudantes de alguns cursos reivindicaram, independentemente da construção de um novo prédio, salas para grupos de extensão, sala de estudos e convivência, além de espaços expositivos, salas de ensaio para artes cênicas, entre outros.
- Uma parcela dos estudantes, a grande maioria daqueles que se reuniram em assembléia para tomar posições perante à diretoria, acha inadmissível que aja alguma interveção em qualquer espaço estudantil. Entende-se por espaço estudantil, a prainha (gramado, bancos e árvores, onde conversamos, nos pegamos, fazemos festas, fumamos maconha, e por vezes alguém batuca em cima de um motor quebrado, ou algo assim) e o espaço de vivência, com centro acadêmico, atlética e lanchonete. Esses mesmos estudantes entendem que a construção de um novo prédio segue uma lógica capitalista de ensino tecnicista e mercadológico, que privilegia um saber "produtivo", que tenha uso comercial. Eles também afirmam que há, dentro dos prédios já construídos, espaços subutilizados, ou utilizados por interesses privados (como o uso exclusivo de professores ou cursos pagos), portanto, reivindicam laudos isentos sobre a real necessidade de novos espaços.
- a grande maioria dos estudantes não se envolveu nessa discussão de nem uma forma.
Eu vejo que esse debate tem sido levado seguindo duas lógicas separadas:
1 - Um discurso em defesa de espaços alternativos à universidade, dentro da próxima universidade, que se agarra a esses espaços alternativos já criados, como únicas possibilidades enquanto locais de produção e expressão, onde estudantes que trabalham principalmente com cultura e arte podem realizar suas atividades, dentro de uma proposta de arte vanguardista como forma de luta pela transformação da realidade.
2 - A construção de um novo modelo de universidade, onde todos os espaços possam ser ocupados tanto por alunos, quanto por professores e funcionários, para produção artística, cultural e intelectual, sempre com foco na democratização da produção e difusão do saber, que também entende a necessidade de espaços autogestionados, mas se desenvolve dentro de uma proposta de transformação da sociedade pela sociedade, que não deixa de passar por um embate entre os diversos interesses envolvidos.
última alteração dia 27/05 às 15h24
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1 ano atrás
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