Estava lendo o pequeno livro (que de pequeno só tem o tamanho) do Florestan Fernandes, presente de uma amiga, e chegando ao fim, tenho que escrever minhas considerações.
Sobre o texto:
1 - Grosso modo, pode-se dizer que Marx identifica na luta de classes - e as distensões causadas por ela - a causa da inevitabilidade da revolução. Assim foi na Revolução Burguesa.
2 - Por Revolução, entende-se uma mudança brusca nas bases estruturais das relações de uma sociedade. Essa se daria através da tomada do poder para transformar as relações e por fim destruir o próprio poder, reconstruindo a forma como a sociedade se estrutura
3- Entre os atores sociais, ele identifica no proletariado [1] [2] [3] a classe responsável pela revolução.
4 - O proletariado forma-se e começa a se estrutura enquanto classe a partir da I Revolução Industrial, no século XVIII, e tardiamente, nos países coloniais, no século XX
Minhas conclusões:
1 - Marx e marxistas pecam, não só por apostar na inevitabilidade da revolução (que é um conceito importante principalmente pelo peso político), mas também por entender que o Poder na sociedade emana de um ponto superior, em estrutura piramidal, e que esse ponto seria o Estado. (Ver Foucalt, Genealogia do Poder)
2 - Em oposição, ao conceito de revolução [como mudança nas relações através da tomada do poder] versus reformismo, meu entendimento é de que o Poder não se toma, mas se exerce. Que existem mecanismos que ampliam o poder, mas ele se exerce em rede, não só de cima para baixo, mas também de baixo para cima, horizontalmente, em várias direções.
3 - Nessa perspectiva, acho pouco provável que a "simples" tomada do poder (entendo por esse o estado) seja suficiente ou eficiente para mudar as relações na sociedade sem que se trasforme as relações de poder na sociedade, que é também o objetivo final da revolução.
4 - O proletariado identificado por Marx, que perdurou por muito tempo em diversas sociedades, a partir do século XXI sofre bruscas e intensas mudanças, por conta do estado de desenvolvimento das forças econômicas.
4.1 - o proletariado não é mais uma classe homogênia, que trabalha em uma parte do sistema produtivo, alienada ao todo.
4.2 - A grande parcela proletarizada da população encontra-se nas mais diversas áreas, principalmente no setor de serviços (atendente de telemarketing) ou comércio (vendedor).
4.3 - Nos setores produtivos as empresas buscam implementar técnicas cada vez mais orgânicas de gestão, fazendo o trabalhador paticipar de todas as partes do processo produtivo, terceirizando muitas partes desse processo e, em muitos casos, buscando manter uma relação orgânica também com as empresas que realizam os serviços terceirizados, sem contar a crescente especialização no setor.
5 - Finalmente, chego a conclusão de que, para se pensar em implantar o socialismo ou o comunismo, partidos e movimentos precisam repensar:
i - As formas de alterar as relações de poder na sociedade com perspectiva global e atentar às novas questões como o meio ambiente, sem excluir o empoderamento do Estado pelo povo, mas tão pouco priorizá-lo.
ii - Os movimentos e principalmente os partidos devem repensar, sem abandonar a perspectiva de classes, os atores dessa mudança, valorizando uma participação democrática e popular, mas não necessariamente proletária e/ou vanguardista.
Novo Blog
1 ano atrás
0 comentários:
Postar um comentário